
“Eu estudava em escola religiosa, mais por falta de alternativa do que por outra coisa. Meus pais não eram de ir à igreja e, como filhos de japoneses, nunca haviam tido muito contato com as práticas católicas. Por isso mesmo não fui batizada e sequer fiz primeira comunhão. Na escola, isso era estranho, principalmente quando me perguntavam quem era meu padrinho e eu ficava sem saber o que dizer. Mas, para uma criança, a pior parte era no dia do aniversário, quando eu sempre lembrava que teria um presente a menos. Seja como for, eu presenciava as celebrações católicas e às vezes até ia à igreja para uma cerimônia ou casamento de alguém de outra família.
Porém, tenho uma lembrança muito forte de quando eu tinha no máximo uns seis ou sete anos de idade. Eu era muito pequena e nossa casa havia virado de cabeça para baixo: meu pai havia perdido o emprego, havíamos sofrido um empobrecimento súbito e meus pais não paravam de brigar. Eles até já haviam se decidido pela separação mas, devido à falta total de dinheiro, não tínhamos como desmontar uma casa para fazer duas.
Lembro de uma noite na qual eu já estava na cama quando minha mãe me chamou, dizendo que eu iria dormir com ela, na cama grande. Foi a primeira noite que meus pais decidiram não mais dormir juntos e eu deveria ceder minha cama para ele. Fui para o quarto de minha mãe e, enquanto deitava, lembrei da discussão que havia acabado de ouvir, e que nós teríamos que entregar a casa e que se não acertássemos as contas iríamos todos para a rua. Naquela noite, fui dormir com medo. Não queria que minha mãe percebesse meu medo, ela já tinha problemas demais. Fiquei observando seu corpo deitado junto ao meu, sentindo seu calor e ouvindo sua respiração tornar-se cada vez mais lenta e ritmada, enquanto as demais luzes da casa se apagavam e a noite finalmente silenciava. Quando achei que minha mãe já havia dormido, comecei a rezar, imitando o jeito como tinha visto meus coleguinhas fazerem, e pedindo a deus que não fossemos para a rua.
De repente, minha mãe, que não estava dormindo, virou para o lado e perguntou: ‘Você sabe rezar ?’. Eu disse que sim. Ela se acomodou ao meu lado e disse: ‘Então vamos rezar juntas’. ”
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A história acima me foi contada recentemente, em um rápido colóquio, e me ajuda a entender melhor as coisas. Resolvi copiá-la porque nas últimas semanas falamos de Idade Média, e da intensa religiosidade do período, e às vezes me perguntam de onde vem essa religiosidade ou porque ela foi tão intensa.
Porém, tenho uma lembrança muito forte de quando eu tinha no máximo uns seis ou sete anos de idade. Eu era muito pequena e nossa casa havia virado de cabeça para baixo: meu pai havia perdido o emprego, havíamos sofrido um empobrecimento súbito e meus pais não paravam de brigar. Eles até já haviam se decidido pela separação mas, devido à falta total de dinheiro, não tínhamos como desmontar uma casa para fazer duas.
Lembro de uma noite na qual eu já estava na cama quando minha mãe me chamou, dizendo que eu iria dormir com ela, na cama grande. Foi a primeira noite que meus pais decidiram não mais dormir juntos e eu deveria ceder minha cama para ele. Fui para o quarto de minha mãe e, enquanto deitava, lembrei da discussão que havia acabado de ouvir, e que nós teríamos que entregar a casa e que se não acertássemos as contas iríamos todos para a rua. Naquela noite, fui dormir com medo. Não queria que minha mãe percebesse meu medo, ela já tinha problemas demais. Fiquei observando seu corpo deitado junto ao meu, sentindo seu calor e ouvindo sua respiração tornar-se cada vez mais lenta e ritmada, enquanto as demais luzes da casa se apagavam e a noite finalmente silenciava. Quando achei que minha mãe já havia dormido, comecei a rezar, imitando o jeito como tinha visto meus coleguinhas fazerem, e pedindo a deus que não fossemos para a rua.
De repente, minha mãe, que não estava dormindo, virou para o lado e perguntou: ‘Você sabe rezar ?’. Eu disse que sim. Ela se acomodou ao meu lado e disse: ‘Então vamos rezar juntas’. ”
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A história acima me foi contada recentemente, em um rápido colóquio, e me ajuda a entender melhor as coisas. Resolvi copiá-la porque nas últimas semanas falamos de Idade Média, e da intensa religiosidade do período, e às vezes me perguntam de onde vem essa religiosidade ou porque ela foi tão intensa.




