
Se sobrou alguma coisa de Deus no Ocidente, ela se encontra no vasto repertório de imagens, plásticas ou mentais, que o Cristianismo criou nos últimos dois mil anos. E continua criando, queiramos ou não. Por exemplo, nas imagens de Inferno e Paraíso que se oferecem à imaginação para que sejam constantemente recriadas, e eu me divirto inventando infernos e paraísos possíveis. Minha preferida, de longe, é certa visão do Paraíso que tive um dia, quando ouvia West End Blues, na gravação de Louis Armstrong em 1928, talvez a música perfeita.
Pensei nisso pela primeira vez quando me perguntei sobre a trilha sonora do paraíso. Qual música é tocada no céu, sendo repetida por toda a eternidade sem que ninguém jamais enjoe ? Claro, não se trata aqui de pensar seriamente em paraíso e inferno, mas simplesmente descobrir uma música que, de tão boa, provoque nada menos que uma epifania. Pois então, ponha West End Blues para tocar (http://bit.ly/9C70GP) e compartilhe minha visão.
introdução, trompete
Imagine que você agora morreu. A paisagem diante dos seus olhos, aparentemente desolada, é formada apenas por nuvens. (Talvez você vista um grande lençol branco, como o de Beatriz na Divina Comédia). Trata-se das portas do céu e, por um instante, você imagina o que acontecerá, se haverá um julgamento, se sua entrada será permitida. Subitamente, soa um trompete, anunciando que algo irá acontecer.
todos tocam juntos
Por todos os lados, surge uma revoada de anjos mulatinhos, como os que foram pintados pelo mestre Ataíde na Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto. Eles tocam instrumentos, e flutuam à sua volta. Em pouco tempo, você percebe trombone, piano, clarinete, percussão. Alguns anjinhos talvez tragam uma lira nas mãos, mais para efeito visual do que sonoro (anjos devem carregar liras, mesmo que silenciosas).
um trombone se destaca
Um dos anjinhos toma a frente e sopra seu trombone. Ele é a cara do Raul de Souza. Você percebe que seu pé, descalço e mesmo sem querer, começa a acompanhar a música.
solo de clarinete com uma voz ao fundo
Mais um anjinho surge à sua frente, agora tocando um clarinete. Sua música vem junto com uma voz que surge sabe-se lá de onde. Uma voz meio rouca, que diz palavras incompreensíveis. Seria Deus ? Mesmo sem entendê-lo, você se deixa levar pela musicalidade e, pela primeira vez, percebe que o chão onde se encontra é de nuvens: você flutua.
solo de piano
Outro anjinho tem um piano. Ele toca sozinho agora (mas quantas mãos ele tem ?), e conforme toca, as nuvens vão se abrindo. Você percebe alguém se aproximando, um vulto, talvez ele traga um trompete nas mãos.
solo de trompete
É Deus. Ele se projeta das nuvens na sua direção, imenso, negro, tocando trompete. Como na imagem acima, como uma imagem em 3D no cinema. Ele segura a nota (si bemol ?) por um tempo infinito, talvez quatro compassos, e é justamente nesse momento que você começa a perceber o que é a eternidade. E Deus toca o instrumento usando todos os seus atributos: é divino.
final com piano
Quando volta o piano, acompanhando o trompete, você já não tem mais dúvidas. É o Paraíso. E você faz parte dele.
Pensei nisso pela primeira vez quando me perguntei sobre a trilha sonora do paraíso. Qual música é tocada no céu, sendo repetida por toda a eternidade sem que ninguém jamais enjoe ? Claro, não se trata aqui de pensar seriamente em paraíso e inferno, mas simplesmente descobrir uma música que, de tão boa, provoque nada menos que uma epifania. Pois então, ponha West End Blues para tocar (http://bit.ly/9C70GP) e compartilhe minha visão.
introdução, trompete
Imagine que você agora morreu. A paisagem diante dos seus olhos, aparentemente desolada, é formada apenas por nuvens. (Talvez você vista um grande lençol branco, como o de Beatriz na Divina Comédia). Trata-se das portas do céu e, por um instante, você imagina o que acontecerá, se haverá um julgamento, se sua entrada será permitida. Subitamente, soa um trompete, anunciando que algo irá acontecer.
todos tocam juntos
Por todos os lados, surge uma revoada de anjos mulatinhos, como os que foram pintados pelo mestre Ataíde na Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto. Eles tocam instrumentos, e flutuam à sua volta. Em pouco tempo, você percebe trombone, piano, clarinete, percussão. Alguns anjinhos talvez tragam uma lira nas mãos, mais para efeito visual do que sonoro (anjos devem carregar liras, mesmo que silenciosas).
um trombone se destaca
Um dos anjinhos toma a frente e sopra seu trombone. Ele é a cara do Raul de Souza. Você percebe que seu pé, descalço e mesmo sem querer, começa a acompanhar a música.
solo de clarinete com uma voz ao fundo
Mais um anjinho surge à sua frente, agora tocando um clarinete. Sua música vem junto com uma voz que surge sabe-se lá de onde. Uma voz meio rouca, que diz palavras incompreensíveis. Seria Deus ? Mesmo sem entendê-lo, você se deixa levar pela musicalidade e, pela primeira vez, percebe que o chão onde se encontra é de nuvens: você flutua.
solo de piano
Outro anjinho tem um piano. Ele toca sozinho agora (mas quantas mãos ele tem ?), e conforme toca, as nuvens vão se abrindo. Você percebe alguém se aproximando, um vulto, talvez ele traga um trompete nas mãos.
solo de trompete
É Deus. Ele se projeta das nuvens na sua direção, imenso, negro, tocando trompete. Como na imagem acima, como uma imagem em 3D no cinema. Ele segura a nota (si bemol ?) por um tempo infinito, talvez quatro compassos, e é justamente nesse momento que você começa a perceber o que é a eternidade. E Deus toca o instrumento usando todos os seus atributos: é divino.
final com piano
Quando volta o piano, acompanhando o trompete, você já não tem mais dúvidas. É o Paraíso. E você faz parte dele.





