domingo, 26 de dezembro de 2010

Outra citação


Eu me inclino perante a memória, perante a memória de qualquer pessoa. Quero deixá-la intacta, pois ela pertence ao ser humano que existe para ser livre. Não oculto minha repugnância por aqueles que se permitem submetê-la a operações cirúrgicas, até que ela se assemelhe à memória dos demais. Que operem o nariz, os lábios, as orelhas, a pele e os cabelos, o quanto quiserem operar; que implantem olhos de outra cor, se tiver que ser assim; também corações estranhos, que pulsem por mais de um ano; que apalpem tudo, aparem, alisem, igualem, mas que deixem a memória em paz.

Elias Canetti, Uma luz em meu ouvido. Instigante mesmo é o conceito de liberdade que surge do texto: ser livre é possuir memória.
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A partir de hoje, começo a ilustrar os posts com imagens captadas por pessoas "reais". A foto acima foi devidamente roubada de Bianca T.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Luz e sombra



Luz

Adoro as decorações de Natal, as luzes fazem-me rir. Quase sempre, nos condomínios, a iluminação de Natal é de um mau gosto assombroso. O roteiro é quase sempre o mesmo: o síndico libera uma verba, manda um funcionário comprar alguns rolos de luzinhas feitas na China e orienta-o vagamente sobre como e onde instalar as luzes. O funcionário, mal remunerado e desanimado, não raro recém chegado de um distante rincão da pátria amada idolatrada salve-salve, tem lá suas idéias. E aí começam as tragédias.

Na hora da compra, ninguém percebeu uma sutil diferença: dois dos rolos de luzinhas coloridas são de um tipo e três rolos são de outro tipo. Resultado, quando a instalação fica pronta, uma parte pisca e outra não. Depois de alguns anos, algumas luzes já queimaram, outras não, a a instalação vai ficando cada vez mais assimétrica, torta, sem sentido

Ou então: a verba para as luzinhas não foi suficiente, algumas árvores serão totalmente cobertas de luz, enquanto outras só terão um metro de tronco iluminado. Ou ainda (uma das minhas decorações preferidas): as luzes comprados são do estilo “mangueira”, e a árvore enfeitada parece subitamente estar sendo estrangulada por uma cobra (veja a imagem). Nesse sentido, ao invés da remissão ao nascimento de Cristo, a iluminação faz referência à iconografia cristã da Queda: uma serpente envolve a árvore do fruto proibido, Adão e Eva acabaram de ser expulsos do Éden.

Gosto muito também daqueles condomínios que se omitem, e o resultado é cada apartamento instalando uma luz diferente em suas janelas ou sacadas. Algumas coloridas outras não, algumas piscando outras queimadas. Também gosto quando o inspirado morador compra dezenas de metros de luzes e faz seu próprio desenho na janela, com um resultado ininteligível: aquilo que vejo piscando no prédio em frente é um Papai Noel sorridente ou os sargentos Yegorov e Kantariya hasteando a bandeira soviética no Reichstag em 1945 ?

Sim, também temos as luzes de Natal na avenida Paulista, que trafegam entre o bom gosto e o novo-riquismo kitsch. Mas nada se compara às verdadeiras luzes de Natal dos automóveis parados na avenida, à noite, com famílias inteiras “passeando de carro”, um hábito paulistano que eu imaginava abolido desde o século passado.

Sombra

Santa is how satan spells his name when he wants to trick us, diz a sabedoria anglo-saxônica. Palavras que devem ser levadas a sério se lembrarmos que a figura do bom velhinho nasceu de uma adaptação norte-americana da lenda do santo grego São Nicolau. Dizem que foi em 1822 que um professor de literatura grega em Nova York, um certo mr. Moore, escreveu um poema para seus filhos, adaptando a lenda do santo, famoso por deixar sacos de moedas na chaminé da casa de pessoas que se encontravam em dificuldades financeiras. No poema de Moore, Nicolau virou uma bondoso e sorridente velhinho, que saía do pólo norte em um trenó puxado por renas e distribuía presentes para crianças no Natal.

A história toda tem um ar nórdico, germânico ou escandinavo, ainda mais se lembrarmos que o Natal no dia 25 de dezembro foi uma invenção da Igreja em seus primórdios, e que pretendia adaptar suas cerimônias aos costumes bárbaros. Assim, a celebração do nascimento de Cristo - cujo dia exato ninguém tem a mais vaga idéia de quando foi - passou a ser comemorada durante o solstício de inverno, tradicional cerimônia religiosa germânica.

Há outra tradição nórdica na jogada: desde há muito a Finlândia se orgulha de ser a casa oficial do bom velhinho, que viveria no norte do país, na Lapônia, já bem dentro do Círculo Polar Ártico. Até hoje o correio da Finlândia se dá ao trabalho de responder todas as cartas endereçadas a Santa Claus / FIN-96930 Arctic Circle / Rovaniemi - Finlândia . Tente escrever uma cartinha, ainda há tempo, veja o que acontece.

A preocupação em traçar as origens nórdicas do personagem reflete uma tentativa de entendê-lo melhor. Deixo de lado o nome “Papai Noel” e me detenho em “Santa Claus”. O jogo de palavras santa/satan torna-se mais instigante quando lembramos que, no inglês, Old Nick é um apelido usado normalmente como referência ao demônio, e Claus, lembramos, vem de Nicolau. A cor vermelha ligada a ambos pode ser mera coincidência, mas a identificação tanto do demônio quanto do bom velhinho com as chamas – lembre-se que o local de chegada do Papai Noel é a lareira – nos faz pensar que talvez não seja tanta coincidência assim. E o golpe de misericórdia que faz com que deixemos de lado de uma vez por todas as nossas ilusões infantis: a atuação do demônio e do Papai Noel tem o mesmo fundamento ético. Pois trata-se de punir quem não tem um bom comportamento.
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Feliz Natal, se puder.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Uma citação


A multiplicidade dos professores era surpreendente; é a primeira diversidade de que se é consciente na vida. Que eles ficassem tanto tempo parados à nossa frente, expostos em cada um de seus movimentos, sob incessante observação, hora após hora o verdadeiro objeto do nosso interesse, sem poderem se afastar durante um tempo precisamente delimitado; a sua superioridade, que não queremos reconhecer de uma vez por todas e que nos torna perspicazes, críticos e maliciosos; a necessidade de acompanhá-los sem que queiramos nos esforçar demais, pois ainda não nos tornamos trabalhadores dedicados e exclusivos; também o mistério que envolve sua vida fora da escola, quando não estão à nossa frente como atores, representando a si próprios; e, mais ainda, a alternância dos personagens, um após outro, no mesmo papel, no mesmo lugar e com a mesma intenção, portanto, eminentemente comparáveis - tudo isso, em seu efeito conjunto, é outra escola, bem diferente da escola formal, uma escola que ensina a diversidade dos seres humanos; se a tomarmos um pouco a sério, resulta na primeira escola em que conscientemente estudamos o homem.


Elias Canetti, A língua absolvida. O texto me chamou atenção de um jeito peculiar: despertou lembranças de quando era aluno.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

L’esprit de l’escalier



A expressão é francesa, e remonta à Revolução, aos dias de debates árduos e violentos no recém criado Legislativo. Muitas vezes, um orador subia à tribuna da Assembléia ou Convenção de deputados e tinha que enfrentar as críticas barulhentas de seus opositores, bem como as ironias dirigidas contra ele, ditos jocosos e insinuações maliciosas: a Revolução Francesa foi como que uma idade de ouro da retórica. E foi quando despontaram oradores brilhantes como Robespierre e Danton, cujos discursos – seja da tribuna ou das galerias – cortavam como uma lâmina (a metáfora chega a ser sombria).

Muitas vezes, um orador era criticado no meio do discurso e não conseguia argumentar a altura. Provavelmente vaiado ou apupado, descia as escadas de tribuna e, frequentemente, era só nessa hora que vinha uma boa resposta às críticas que tinha ouvido. Mas já era tarde, sua espirituosidade só se manifestou na escadaria. Esse é o “espírito da escada”.

Conhecemos bem a sensação em todo tipo de discussão da vida cotidiana: a resposta esperta, o argumento decisivo só nos visita quando acabou a conversa, no dia seguinte, na semana seguinte. Nas Ciências Humanas, no debate, a experiência é recorrente. Historicamente, o grande mestre das respostas rápidas é Winston Churchill, inúmeros episódios são atribuídos a ele. O meu preferido envolve um debate no Parlamento inglês, no início do século XX, envolvendo ativistas do nascente movimento feminista, então em plena luta pelo direito de voto feminino. O qual Churchill, claro, era contra. Depois de debates acalorados, a líder das ativistas, furiosa, disse a ele: “O senhor é uma pessoa odiosa. Saiba que se fosse meu marido, eu poria veneno no seu chá”. Ao que Churchill respondeu, de imediato: “Se eu fosse seu marido, tomaria o chá”.

Mas há algo melhor. Grande rival de George Bernard Shaw, Churchill certa ocasião teria recebido convites para a estréia da mais recente peça do dramaturgo irlandês. Shaw, irônico, enviou os convites e uma carta tremendamente irônica: “Apesar de nossas diferenças de opinião, ficaria feliz com sua presença na estréia de minha mais recente peça. Envio dois convites: um para o senhor e outro para um amigo... se tiver”. O inabalável Churchill respondeu com amabilidade, dizendo em carta: “Lamentavelmente, compromissos me impedem de comparecer na estréia de sua mais recente peça. Porém faço questão de presenciar uma próxima exibição... se tiver”.

Nas aulas, julgam-me espirituoso, mas é engano. Depois de anos e anos, já antecipo reações dos alunos, e já tenho um repertório de respostinhas inteligentes que sempre parecem inventadas na hora, mas não são: não raro, eu simplesmente as roubei anos atrás de alunos verdadeiramente espirituosos. Porém, uma única vez o espírito da escada não me abandonou, inspirando-me em um episódio meio grosseiro do cotidiano. Foi em uma padaria meio vazia, em um domingo à noite. Além de mim, encontrava-se na padaria somente um outro freguês, um jovem negro, de gestos e vestimenta francamente afeminados. Logo na minha frente, ele falou algo para o caixa, com forte sotaque de algum lugar do nordeste, pagando sua conta e partindo logo em seguida.

Assim que se foi, o dono da padaria, que estava no caixa, olhou para mim com um sorriso unilateralmente cúmplice e teve o disparate de dizer: “Esse aí, além de preto e viado é baiano”. Mesmo sem a elegância de um Churchill, respondi de bate-pronto: “E o senhor, além de português e burro é fascista”.

Nunca mais voltei naquela padaria.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Cultura de boteco



Em uma terça-feira chuvosa, chego no Veloso dez minutos antes de abrir, e já vejo pessoas se amontoando na calçada, enquanto os garçons se apressam em preparar as mesas e abrir os toldos diante da fachada. Refiro-me ao bar Veloso de São Paulo, que aproveita do fato de estar situado na rua Conceição Veloso, na Vila Mariana, para fazer uma discreta homenagem ao homônimo carioca.

Depois que as portas finalmente se levantam, em pouco tempo o bar está lotado e começa a se formar o tradicional aglomerado em sua porta. Um aglomerado feliz, pois os garçons servem os clientes normalmente, no meio da rua, igualzinho ao tradicional Bar do Léo da rua Aurora. Dentro do Veloso, grupos conversam, bebem, pedem petiscos, se conhecem. Lembro do sambista Monarco, da Velha Guarda da Portela, contando um causo no documentário sobre Paulinho da Viola: “Saímos de lá e paramos em um boteco. Pedimos uma cerveja e fomos ficando por ali, esperando a vida melhorar...”. Lembro também do impagável Chico Bacon de Caco Galhardo, que leva um tubo de super bonder no boteco e aplica no assento da cadeira antes de sentar.

São pessoas que praticam a cultura de boteco, que sempre me intrigou. Não me refiro a sair sábado à noite para encontrar os amigos em um bar e sociabilizar, mas de uma prática muito mais sutil, que chega a ser essencial para alguns, quase um estilo de vida: passar no boteco em um dia de semana, depois do trabalho ou a qualquer hora, ir ao boteco sem compromisso ou mesmo sozinho, sabendo que lá sempre tem alguém pra conversar. Ou, como dizia Vinicius de Moraes, apenas para “falar sem dizer grande coisa”. Cultura de boteco implica em freqüentar os mesmos botecos (que existem faz tempo e não são modas passageiras), conhecer os garçons e ser chamado pelo nome (e não pelo impessoal “doutor”), fazer pedidos sem ver o cardápio, e, finalmente – suprema glória – ter um lugar fixo, seja em mesa ou balcão.

De onde vem essa disposição de passar horas conversando, bebendo, fazendo nada ? Por que algumas sociedades tem cultura de boteco e outras não ? Pub, izakayá, brasserie ou cafe, biergarten ou brauhaus, pivo bar, meyhane... na verdade, é bem capaz que todas as culturas valorizem sua modalidade de boteco. A pergunta passa a ser: porque algumas culturas não tem boteco ?

Lembro imediatamente da cultura norte-americana de classe média, dos suburbs com quadras e quadras de casinhas brancas e gramados verdinhos: esses bairros residenciais não tem botecos. Cercados de highways e sem transporte coletivo viável (lembre-se, trata-se da cultura do automóvel), partindo dos suburbs é praticamente inviável freqüentar um boteco ou pub decente downtown.

(interlúdio pop: em um dos infinitos episódios de Os Simpsons, Homer sobe de vida e muda-se para um suburb elegante. Com o marido no trabalho, as crianças na escola e empregados mexicanos para cuidar da casa, Margie... bebe. O tédio da vida no suburb acaba por transformá-la em uma alcoólatra solitária. No mesmo registro, Cheers foi uma série de sucesso, que se passava em um pub na velha Boston. Após o fim da série, um de seus personagens muda-se para a moderna Seattle e deixa de freqüentar botecos. Em Frasier – uma das minhas séries favoritas de todos os tempos – boteco é visto como algo decadente, pouco sofisticado e ultrapassado. Sem freqüentar pubs, o personagem Frasier lamenta-se da solidão e tem nostalgia dos tempos de Boston, dos tempos de pub)

Volto ao Veloso. Meses atrás, enquanto tomava um chope na calçada esperando uma mesa vagar (e de posse de uma comanda que identificava meu lugar como “poste”), vi uma cena deslumbrante. Desequilibrando-se em meio à multidão, um garçom e uma bandeja com no mínimo uma dúzia de chopes – em copos tulipa, dos antigos – tropeçaram diante de mim. Subitamente, vi na minha direção um jorro amarelo, de chope gelado, despencando como uma verdadeira cachoeira de desenho animado do Pica-pau. Não apenas a imagem foi linda, uma cascata dourada de chope espumante, mas também o som daquele líquido vertendo na minha direção e, infelizmente, sem me atingir (acho que naquele dia quente eu ansiava por um banho gelado). Seguiu-se o splash! no asfalto e o som estranhamente excitante de uma dúzia de copos quebrando.

Mas o mais curioso foi o silêncio consternado que se fez em seguida, em todo bar e na calçada lotada. Foi como se todos fizessem um minuto de silêncio em lembrança ao chope desperdiçado. Em seguida, voltaram aos seus assuntos e continuaram no bar, esperando a vida melhorar.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fachadas antigas


Há um tipo de casa que cada vez menos se vê em São Paulo, mas que já foi a cara da cidade. Construídas em terrenos compridos – pouca frente e muito fundo – foram residências de famílias de classe média (numa época em que São Paulo era uma cidade de classe média), e seus últimos exemplares podem ser vistos em velhos bairros italianos como Liberdade, Bexiga e no começo da Zona Leste, a partir da Móoca. Essas casas eram feitas por habilidosos mestres pedreiros de origem européia, que aprenderam seu ofício trabalhando com gesso, torcendo ferro e entalhando pedra nos canteiros de obras europeus do final do século 19.

Encontrei essas casas pelo interior do estado, em Campinas, Sorocaba e Jundiaí, e me pergunto se elas existem em número expressivo por outros estados. Ao longo do século 20 essas casas foram se deteriorando: na minha infância, cheguei a ver muitas delas transformadas em pensões, verdadeiros cortiços onde se amontoavam trabalhadores pobres e migrantes recém chegados do nordeste. Mais tarde, essas casas foram sendo simplesmente derrubadas.

Suas fachadas se repetem: duas janelas gradeadas baixas que iluminam o porão, duas janelas mais acima que se abrem para a sala e um portão lateral, quase sempre de ferro trabalhado, e que infelizmente não aparece na foto acima. O aspecto retangular e simétrico das fachadas, em que pese o portão lateral, sugere uma inspiração neo-clássica. Porém, os excessos ornamentais de diversos estilos acabam “poluindo” a obra, notadamente no alto da fachada, onde o pedreiro dava o seu toque pessoal enchendo o frontão quadrado de volutas e meandros de inspiração art-nouveau, bem como de cornijas e ornamentos em geral. No centro do frontão, a data em que foi concluída a obra: 1900, 1910, 1915, acompanhando mais ou menos os últimos momentos do surto de urbanização trazido pela cafeicultura.

A planta dessas casas é sempre a mesma, com poucas variações. O portão lateral e a pequena escada logo à sua frente dão acesso a um comprido terraço que acompanha a extensão da casa em um de seus lados, com o chão coberto de ladrilhos de cimento hidráulico, no nível dos aposentos. Logo no começo do terraço, uma porta se abre para a sala, iluminada pelas duas janelas abertas para a rua. Da sala sai um comprido e escuro corredor que se abre para dois ou três quartos, cujas janelas se abrem para o também comprido terraço lateral. No fundo desse corredor, a área de serviço, com banheiro e cozinha lado a lado, mais a escada para o porão. Um pequeno quintal ao fundo completa o conjunto.

Nunca entrei em uma casa dessas, me limitando a observar as fachadas, estudar as plantas e imaginar o tipo de vida que se levou nesses aposentos. Na escola, tive que ler “Éramos seis”, e imaginava que Dona Lola e sua família vivessem em uma casa como essa. Mais tarde, em meus momentos “The Sims”, cansei de construir bairros inteiros de casas como essas.

Nos anos 1920, tais casas começaram a escassear. A industrialização construiu bairros operários de casas geminadas, bem mais modestas. Quanto à classe média, a década iria trazer um estranho surto de nacionalismo arquitetônico, que assumiu a forma de um neo-colonial bastante peculiar. A foto abaixo mostra um posto de gasolina da Shell (ou Anglo-mexican Oil Company), em estilo neo-colonial dos anos 20. A Shell construiu dezenas de postos idênticos e espalhou-os pelo país, há pelo menos dois deles bastante bem conservados no alcance de uma caminhada da minha casa.

Já nos anos 1930, esse neo-colonial caducou, e o “modernismo” chegou à arquitetura paulistana, importado sob a forma de Art-deco.